quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

François Villom- Poesia francesa

François Villon, um dos maiores poetas da língua francesa,
 foi o responsável pela elevação da poesia francesa, do que chamamos de período medieval,
 ao brilhantismo do classicismos.

Embora um gênio literário, tinha vida desordenada e erradia, mas de personalidade muito atraente,
 tanto que encontrou vários protetores salvando-o, inclusive, da forca, por duas vezes.

O poeta veio ao mundo em Paris, em 1431.

E tão pobre que, de seu, não tinha, sequer, o próprio nome.

Era François de Montcorbier, e foi adotado por um padre boníssimo, Guillaume de Villon, capelão de Saint-Benoit-Bétourné, que lhe facilitou os estudos e lhe deu nome.

 Em 1452, recebeu o grau de doutor em letras, mas, ainda estudante, já cometia loucuras,
 ligado a malfeitores.

Deixou a teologia pelo crime e, nas "horas vagas", pela poesia. 

É penoso recordar-se; porém, a verdade é que ele passou a viver entre malandros, ladrões, assaltantes, 
charlatões e bêbados.

Mal acompanhado, assassinou um sacerdote, Philippe Chermoye, em 1455,
 escondendo-se no campo, mas foi perdoado pelo rei Carlos VII.

Voltou a Paris e escreveu, em 1456, "Le petit testament". 

Todavia, recomeçando a sua vida irregular, participou, no Natal do mesmo ano (1456),
 de um roubo de dinheiro no Colégio de Navarre.

 Faminto, praticou outros roubos, e o vemos, ora fugindo da polícia, 
ora sofrendo torturas nas prisões.

Foi condenado à forca em 1460 e 1462.

Na sua curta existência, marcada por uma série lamentável de crimes,
 várias autoridades e tribunais o indultaram; e, nas penas de morte, salvaram-no duas anistias: 
de Carlos de Orleans e do próprio Luís XI.

Entre as duas condenações à morte, já alquebrado com apenas trinta anos, escreveu,
 em 1461, os seus melhores poemas, aos quais chamou simplesmente "Les Lais" ("Os cantos"),
 embora a posteridade (não ele) lhes desse o título de "Le grand testament". 

O Leito Universal assim os considera: "confissão de um patético pungente, 
obra poética original, sincera e muitas vezes encantadora".

  É certo que, em 1462, tentou regenerar-se, pois procurou Guillaume de Villon
 e este o recolheu aos claustros, de onde saíra anos antes.

Mas a lei não o esqueceu e foi buscá-lo, exilando-o em 1463;

Assim foi François Villon

Tomou o nome do pai adotivo, desonrou-o, mas lhe deu imortalidade.

Ainda se ignora a data de sua morte. Há fontes que citam 1480, como, também, 1489.

 A Delta Larousse acha que a mesma ocorreu logo depois de sua saída de Paris,
 portanto, em volta de 1463, e esclarece que "seguramente já estava morto quando apareceu, 
em 1489, a primeira edição de suas obras".

Will Durant, autor da copiosa "História da Civilização", registra o seguinte:
"A 3 de janeiro de 1463, a corte, diz o seu relatório, "ordenou que.. .
 a sentença precedente seja anulada, e - atendendo ao mau gênio do dito Villon - 
que seja exilado durante dez anos da cidade.., e do Viscondado de Paris". 

François agradeceu à corte numa alegre balada, e pediu três dias de indulto
 para "tratar de minha viagem e dizer adeus à minha gente".

Atenderam-no e, "provavelmente, foi essa a última vez em que viu o pai adotivo e a mãe.

Fez a trouxa, pegou na garrafa de vinho e na bolsa que o bom Guillaume lhe deu, 
recebeu a bênção do velho, e saiu de Paris e da história.

Nada mais sabemos dele".

Sim, nada sabemos em relação à data em que deixou este mundo. 

Mas, sabemos coisa muito mais importante: François Villon, cronologicamente, 
é o último e o maior dos "galiardos" medievais e o primeiro "poeta maldito".

E ainda: os séculos XIX e XX reconheceram esse criminoso errante
 como um dos maiores poetas da língua francesa.

  Clement Marot (1496-1544), que foi sucessor e editor de Villon
revelou-se um poeta mais talentoso e mais modernizado. 

Seus temas simples e agradáveis captaram a simpatia dos contemporâneos. 

Camareiro de Margarida de Alençon, irmã de Francisco l, e,
 depois, do próprio rei. 

Apontado como adepto do protestantismo, teve de exilar-se na Suíça (1540) 
e na Itália (Ferrara), onde morreu. 

Embora notável no epigrama e perfeito na epístola familiar, dava preferência à elegia, 
ao rondó, ao madrigal e, principalmente, à balada; mas, juntamente com Mellin de Saint-Gelais (1487-1558),
 levou o soneto da Itália para a França.

Humanista e poeta da corte de Henrique II, Saint-Gelais tentou fazer sombra a Ronsard e Du Bellay,
 os quais são apresentados neste site.

A nomeada de Marot começou a descair quando surgiu na França um punhado de poetas novos
 com a intenção de imitar os clássicos e purificar a língua, o que constituía, praticamente
uma adesão ao movimento renovador encetado na Itália.

Esses poetas pretendiam helenizar a França e, de início, chamavam-se a si mesmos "La Brigade".

Diz Will Durant que "um crítico hostil, vendo que eram sete, cognominou-os de "La Plêiade"; 
a vitória deles transformou a palavra numa bandeira de fama".

Aliás, a palavra "Plêiade" não era nenhuma novidade.

 "Plêiades", segundo a lenda grega, era o nome das sete filhas de Atlas e de Plêione,
 também conhecidas por Atlântides, que, desesperadas com os infortúnios de seu pai, 
suicidaram-se e foram metamorfoseadas em sete estrelas.

Eram Alcione, Celeno, Electra, Maia, Astérope, Mérope e Taigete.

Sob a inspiração desta lenda, e olhos fitos na constelação celeste já vulgarizada com o nome de Plêiade,
 sete poetas formaram a primeira "Plêiade": Licofron de Cálcide, Alexandre de Etólia, Filisco de Corcira,
 Homero de Bizâncio, Sosíteo de Alexandria, Sosífanes de Siracusa e Eantide ou Dionisíade de Tarso.

Foi no período alexandrino, quando era rei do Egito Ptolomeu II, Filadelfo, protetor das letras, 
que reinou de 285 a 247 antes de Cristo, e que mandou construir o famosíssimo farol de Alexandria. 

Casou com sua irmã Arsinoé.

Entretanto, foi no Renascimento francês que surgiu a Plêiade mais célebre. 

Os dois poetas destacados desse grupo foram Joachim Du Bellay (1522-1560)
 e Pierre de Ronsard (1524-1585), que fixaram, então, a forma do verso francês. 

Poesia mais emotiva, Du BellayRonsardJean Antoine de Baif (1532-1589),
 Ponthus de Thyard (1521-1605), Étienne Jodelle (1532-1573), Remi Belleau (1528-1577)
 e Jacques Peletier du Mans (1517-1582) - este, ao morrer,
 substituído por Jean Dorat (1508-1588) - fundaram a Plêiade.

Era um grupo de elite que estudava e praticava as formas clássicas,
como em AnacreonteTeócritoVirgílioHorácio e Petrarca.  

Du Bellay, a quem, igualmente, se atribui colaboração na introdução do soneto na França,
 não obstante ser de origem aristocrática, freqüentou tavernas, e foi numa delas, em Poitiers,
 que, em 1548, conheceu Ronsard.

Du Bellay redigiu e publicou, em 1549, o manifesto da ainda "Brigada",
 depois "Plêiade", cujos objetivos fundamentais eram os seguintes: ruptura com formas medievais,
 imitação dos antigos, reforma estrófica. 

O manifesto se chamava "Défense et Illustration de la Langue Françoyse" 
(Defesa e Ilustração da Língua Francesa), e marcou o início do Renascimento na poesia da França.

O poeta viveu em Roma, como secretário de seu primo, 
Cardeal Jean Du Bellay,de 1553 a 1555.

De volta a Paris, evocou sua experiência romana, publicando, em 1558, 
quatro coletâneas de versos: "Les antiquités de Rome" ("As antiguidades de Roma"), 
"Les regrets" ("Os pesares"), "Jeux rusLiques" ("Jogos rústicos") e "Poemata" ("Poemas"). 

A mais famosa é a coletânea "Les regrets", 
de sonetos muito bem elaborados e ungidos de doce melancolia.

 Era chamado "o príncipe do soneto".

Foi, porém, Ronsard quem contribuiu definitivamente, 
para o aprimoramento e divulgação do soneto na França;
 e o fez com grande merecimento e autoridade.

No que tange, vamos dizer assim, ao seu desempenho profissional e literário, 
dentro das cortes, assinalamos o seguinte: - Com 12 anos de idade, 
ingressou como pajem na corte de França e, depois, na corte da Escócia.

 Também se tornou favorito de Henrique II, Catarina de Médicis (sua esposa),
 Maria Stuart, e mesmo de Isabel da Inglaterra.

 Seguiria a carreira militar, mas, aos 17 anos, ensurdeceu quase completamente. 

Foi, então, forçado a renunciar à carreira das armas, dedicando-se à literatura.

 Desistiu da espada e brandiu a pena.

E o novo conjunto poético de que participava (a Plêiade) aderiu à corte de Catarina de Médicis
 (esposa de Henrique II), que trouxera para a França 
"uma comitiva italiana acompanhada de livros de Petrarca".

Seus versos oferecem uma variedade invulgar de ritmos,
 tendo deixado excelente bagagem de grandes sonetos.

Fez-se autor de uma imensa obra no gênero, abrangendo mais de seiscentas produções,
 "Les Amours" (dois volumes, 1552).

Cognominado "o Rei dos Poetas e o Poeta dos Reis", publicou número superior a trezentos mil versos, 
incluídos outros tipos de poesia, como "Odes" (1550).

'Will Durant destaca: "Ronsard tomou Petrarca como modelo e conseguiu uma graça
 e um refinamento jamais ultrapassados na poesia francesa

À Plêiade e, principalmente, a Ronsard, a literatura francesa deve 
o revigoramento do ideal clássico e o enriquecimento da língua,
 com inúmeros vocábulos derivados do grego e do latim. 

Boileau, exagerando, disse que Ronsard "em francês falava grego e latim".

Esse poeta, que deu ao soneto a maior importância, era o Petrarca francês. 

Desfrutava de enorme popularidade, mesmo fora da França. 

Torquato Tasso lhe pediu conselhos a respeito de sua obra imortal "Jerusalém Libertada".

Bastaria isto para dar a medida de seu prestígio.


Quando Henrique II morreu, em 1559, Ronsard continuou nas graças do filho, Carlos IX, 
sendo por este distinguido como poeta da corte.

O declínio de Ronsard começou em 1574, pois, logo no princípio do reinado de Henrique lll 
(irmão de Carlos IX), foi suplantado por Philippe Desportes (1546-1606), nomeado o novo poeta da corte.

Os críticos de Malherbe, no começo do século XVII, derrubaram a reputação de Ronsard
que ficou esquecido por dois séculos.

Entretanto, com o advento do Romantismo, Sainte-Beuve reabilitou Ronsard e a Plêiade,
 ao publicar, em 1828, sua obra memorável 
"Quadro histórico e crítico da poesia fran5esa no século XVI".

Louise Charly, chamada Labé (1524-1566), "a Bela Cordoeira" (filha e mulher de cordoeiros),
 muito bonita e culta, foi excelente poetisa, autora de sonetos deliciosos e tristes;
 e de alguns dos melhores versos amorosos da língua.

 Autora do livro "Oeuvres", com 3 elegias e 23 sonetos.

Depois de escrever que "a cruzada clássica começou na Liáo do próprio Rabelais",
 e que Maurice Sève "preparou o caminho para Ronsard",
 Will Durant acrescenta haver sido a mais séria concorrente de Sève, em Liáo, "uma mulher,
 Louise Labé, que, de couraça, lutou qual outra Joana em Perpignan". (....)
 "A mulher lia grego, latim, italiano e espanhol, tocava muito bem alaúde,
 mantinha um salão para os rivais e os amantes, e escreveu alguns dos mais antigos
 e mais belos sonetos da língua francesa.

Podemos julgar-lhe a fama pelo funeral que teve (1566), o qual, segundo um cronista, "foi um triunfo.

Foi levada através da cidade com a face descoberta e a cabeça coroada por uma grinalda de flores.

A morte não conseguiu desfigurá-la e o povo de Lião cobriu-lhe a campa de flores e lágrimas".

Através desses poetas de Lião, "o estilo, e a forma petrarquianos passaram a Paris e entraram na Plêiade".

Estas são alguns dos detalhes dos primeiros passos da poesia na França.

Visitando este site, você poderá conhecer a poesia destes grandes poetas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A APPB, como apoiadora da cultura em geral, divulga a entrevista feiita pela escritora e jornalista izabelle valladares, no site da academia de artes de cabo Frio esa ARTPOP e parabeniza a academia pela iniciativa de divulgar um pouco da carreira de seus membros publicamente, cultura é esta corrente de amor a arte que vence as barreiras da distância.





Entrevista com a acadêmica, artista plástica,escritora e arte-terapeuta Silvana Borges


Nome: Silvana Borges





http://www.silvanaborges.blogspot.com/

Você é uma artista que busca várias vertentes, como surgiu esta pluralidade de dons em você? Foram intuitivos ou incentivados?
Acredito que ambos. O estudo sempre foi valorizado e incentivado pelos meus pais, eu sempre gostei muito de ler e desde que me conheço por gente adoro desenhar, eu fazia todas as ilustrações dos meus trabalhos escolares. Minha mãe em casa realiza vários trabalhos artesanais por lazer e eu fui convivendo com esse fazer criativo desde criança, certamente isso me influenciou muito. Sempre que gostava de algo, ia aprender a fazer, isso desde o cozinhar, o martelar, montar tudo o que eu pudesse imaginar! eu aprendi a  fazer minhas bonecas de pano, até enveredar para a pintura em tecido, vitrais, esmaltar cerâmica, porcelana, faiança, então comecei a pintura em madeira, até finalmente seguir para o óleo sobre tela que eu achava uma técnica digna apenas de mestres, e foi por causa da minha mãe que queria fazer aulas que fomos juntas freqüentar o atelier de pintura a óleo de Evanira Caruso. Eu penso que lidar com tantas coisas diferentes resultou nessa somatória expressiva no meu trabalho. Eu gosto de utilizar essa combinação de materiais nas minhas pinturas, essa parte sim é intuitiva, eu faço uso do que está a minha disposição e do que tenho como bagagem de aprendizado. Felizmente o conhecimento não é algo estanque, estou sempre procurando aprender mais, experimentando e me renovando.


Como foram seus primeiros passos no mundo literatura? Quais as primeiras produções literárias?
Essa foi a grande renovação em 2010. A literatura sempre me fascinou, se vou passear num shopping posso nem entrar numa loja, mas com certeza irei a uma livraria. Eu sempre escrevi coisas para mim, para organizar meus pensamentos e registrar minhas experiências, alguns amigos brincam que meus e-mails são verdadeiros tratados. Mas, eu não pensava em publicar algo meu até a minha participação como co-autora em Segredos de Cozinha vol. II com lançamento na Bienal do Livro em São Paulo, depois fui convidada a participar também de Nós, Mulheres vol.9, ambos pela Oficina do Livro. Agora estou na Antologia Infantil Histórias para Você Dormir com dois contos meus, o que foi uma grata surpresa pois comecei a criar contos num exercício de expressão na pós-graduação em Arteterapia em 2006 e ao receber o convite, lembrei que tinha um caderno deles guardados.

Como foi tornar-se uma acadêmica da ARTPOP? O que isso tem influenciado em sua carreira?





É uma grande honra! Eu acredito que Deus coloca as pessoas certas em nosso caminho. Em 2007 entrei para a Exposição Itinerante Água, conheci a artista plástica Beatriz Mignone que me convidou para expor no Centro Cultural de Macaé. Quando vim para a exposição passamos por Cabo Frio, nem me lembro o que íamos fazer, mas o que marcou foi que ela me levou para conhecer a artista Dyandreia Portugal, que me convidou para expor no Teatro de Cabo Frio e me indicou para fazer parte da ARTPOP. Nós três somos um caso de “amizade à primeira vista”. O papel importante que a academia desempenha certamente se resume no que Dyandréia sempre diz: “Juntos somos mais fortes!”. Acho que os artistas precisam somar sim, mas também precisam aprender a dividir experiências. Na arte como em tudo na vida, é preciso dar, para receber em troca. A ARTPOP tem pessoas brilhantes desempenhando o papel de disseminar arte e cultura em prol de um coletivo de pessoas que se reuniram com o mesmo propósito, acho válido, pois onde um membro está, toda família ARTPOP é representada, e isso é de um alcance fabuloso! Mas só é possível se cada um de nós der a sua participação e cooperar de alguma forma, pois a ARTPOP somos todos nós!

E a arquitetura? Como surgiu em sua vida?
Eu optei pela arquitetura porque acredito que unifica duas coisas em minha vida, construir e criar. Meu pai sempre trabalhou com construção civil, temos uma loja varejista de materiais para construção, eu cresci no meio do cimento, brincando de montar com conexões hidráulicas e fazendo desenhos nos talões de pedido. Estudar arquitetura foi o máximo, trabalhar com arquitetura é fascinante, eu acho que projetar é como construir algo numa tela em branco, confesso que hoje pinto mais do que projeto, porque não tenho paciência para lidar com as burocracias das repartições públicas, alvarás, etc. Em alguns municípios é um processo frustrante, isso para mim inibe a criatividade de qualquer um! 

Em Arteterapia, o que cada um dos diferentes recursos artísticos ajuda a trabalhar?
A Arteterapia é um agente facilitador em várias áreas tanto da educação como da saúde.  Os recursos expressivos são utilizados de forma a fazer aflorarem os conteúdos internos do indivíduo, permitindo que ele tenha uma consciência mais ampla de si mesmo, uma compreensão maior das suas relações com os outros e abre um leque de possibilidades do que ele pode realizar, integrando-o ao meio que vive de uma forma mais harmoniosa. Cada material tem algo a comunicar, o fazer artístico permite que esse diálogo aconteça abrindo um canal para que a pessoa se expresse de forma livre e espontânea. É um processo de busca de si mesmo e de descobertas. Não existem fórmulas ou regras gerais, cada pessoa é única e cada recurso é empregado dentro da sua necessidade, pode-se tanto trabalhar com pintura e desenho, como dança e dramatização. O importante é a expressão do individuo e somente ele pode lhe dar significado. A arte exprime estados da alma, estados de ser, de forma a se disponibilizarem para nossa consciência para que deles tomemos conhecimento.


No campo pedagógico, que problemas podem ser sanados por meio de  arteterapia ?
A Arteterapia não pretende uma cura, o processo arteterapêutico visa facilitar que o individuo possa lidar mais facilmente com seus limites e dificuldades, e superá-los. No campo pedagógico pode-se por exemplo trabalhar a auto-estima de uma criança com dificuldades de aprendizado. Quem de nós nunca disse um “eu não sei” ou “eu não sou capaz”? Então imagine o peso disso no universo infantil. A criança precisa ganhar a auto-confiança necessária para superar suas limitações e através da Arteterapia poderá concretizar e visualizar os seus potenciais. Isso não precisa ser trabalhado apenas com a arte, mas também com o contar histórias, os contos possibilitam que a criança assuma diferentes papéis, visualize e se familiarize às situações e se sinta capaz de enfrentar seus medos e obstáculos.

Sempre ouvimos falar em funções da consciência? Pensamento, intuição,sentimento, sensação. Explica para nós ,leigos qual a importância deste tema para a saúde emocional?
Os tipos psicológicos surgiram da constante necessidade de se compreender as diferenças no homem, o mesmo ser, mas com os aspectos diferenciados e singulares de cada indivíduo. As funções descrevem tipos de julgamento e percepção do mundo. Pensamento e sentimento são funções que envolvem um julgamento, uma avaliação. Sensação e intuição estão ligadas à maneira de perceber, são funções de adaptação ao mundo interno e externo. Todos temos as 4 funções, delas temos uma principal, duas auxiliares e 1 inferior, que é a nossa “pedra no sapato”, e é exatamente essa que precisamos trabalhar. Para o extrovertido a Arteterapia faz ele se voltar para si mesmo, para o introvertido, possibilita que ele extravase o que tem guardado dentro de si, promove-se assim a circulação de energia entre o eu e o consciente, tanto quanto entre o eu e o outro. Tendo conhecimento desses aspectos existe uma melhor aceitação do individuo como ele é, uma maior compreensão das suas reações, e um respeito e equilíbrio das relações entre pessoas diferentes e o modo de agir de cada um.


A contação de histórias, fazendo uma ponte com a literatura, é importante para o processo terapêutico. Por quê? Qual a função terapêutica?
De acordo com Jung, nos mitos e contos de fada temos a “anatomia comparada da psique”, temos a direção ou a base para nos relacionarmos, é uma dimensão paralela ao nosso mundo instintivo e biológico. Os mitos e contos de fada apontam caminhos para significações amplas de modo que encontremos explicações que dêem sentido às nossas relações. É como se cada um de nós desempenhasse um papel num conto, com isso você  identifica os padrões de sua história de vida, e tomando consciência do seu padrão pode mudá-lo se ele não estiver lhe favorecendo de modo que você possa reescrever a sua própria história. A nossa tendência é reproduzir padrões daquilo que assimilamos por herança, absorvemos do meio e do convívio com as pessoas, bem como de nossa história familiar. Trabalhar com histórias possibilita recriarmos a nossa história, podemos  assim trazer algo novo, novas aberturas, novos caminhos.

Muitas pessoas se sentem vítimas e amargam derrotas existenciais. A arteterapia pode contribuir de alguma forma?
A Arteterapia é um novo campo de conhecimento, não é um tratamento, mas um agente facilitador, aliás o termo arte+terapia não é o mais correto ao meu ver, pois leva a definição de uma terapia ou tratamento. A Arteterapia é uma ferramenta multidisciplinar muito poderosa sim, mas que só pode ser aplicada no auxilio ao tratamento de alguém com a supervisão de um profissional de saúde. Eu como arteterapeuta faço uso da Arteterapia no ateliê de forma preventiva, ou seja, estimulando a criatividade, promovendo a auto-estima e o auto-conhecimento do individuo, assim ele tendo uma maior consciência de si mesmo, conseqüentemente terá uma vida mais produtiva e mais saudável e não se sentirá derrotado, pois terá conhecimento de seus potenciais e visão das suas possibilidades de vida.
Nas aulas de pintura eu tento romper com a rigidez no aprendizado das técnicas, pois já me deparei com alunos tão obcecados pela técnica que sepultam a própria expressão para reproduzir fielmente este ou aquele mestre. A minha pesquisa na pós-gradução sobre as Musas Gregas teve como objetivo despertar a criatividade,  liberando o criar artístico do rigor estético, através da Arteterapia, onde cada um resgate a sua inspiração, ou que eu chamo de “musacidade”, aquilo que vem do coração, pois a pintura é uma maneira de mostrar aos outros como cada um vê o mundo e o que sente por ele. Arte é sentimento e a técnica deve ser um meio e não um fim sem si mesma.



A arteterapia possui atividades que possibilitem a criação de vínculos entre os adolescentes? Pode agir preventivamente no contexto pedagógico em relação às drogas?
Sim, há como estabelecer vínculos com atividades que façam o adolescente reconhecer o seu lugar e o seu papel nas relações, ele percebe que não está sozinho e nem é tão auto-suficiente quanto pensa. Não existe o eu e o outro separadamente, estamos interligados por uma linha, somos como pontos numa grande teia, fazendo parte de uma mesma realidade.
O adolescente quer expressar-se, e o material que escolher não é apenas suporte de projeção do que há no seu interior, existe um diálogo em que se troca e se relacionam informações com esse material, o adolescente trará para a atividade algo de si mesmo ao mesmo passo que receberá em troca.
É importante, para ele vivenciar esses aspectos de forma a utilizar a natureza, os contos, os mitos, como espelho daquilo que lhe falta, ou está submerso, aquilo que todos necessitamos integrar na nossa vida, de forma a harmonizá-la. Acredito que a educação e boa formação é a melhor prevenção em relação às drogas.



O idoso tem espaço em atendimento individual ou em grupo num contexto arteterapêutico?
Então, como eu já disse, um atendimento individual tem as características de um tratamento de saúde, então o arteterapeuta agiria em conjunto com outros profissionais em um caso mais específico. Em grupo, no entanto, o fazer artístico na Arteterapia ganha na troca de experiências, no compartilhar desejos, podemos realizar oficinas de criatividade, por exemplo, de forma a estimular os idosos a se sentirem produtivos e úteis, demonstrar que eles têm riquezas internas a serem exploradas e valorizadas. Melhorando a sua auto-estima e conseqüentemente trazendo uma melhor qualidade de vida, ele irá seguramente se apropriar do seu espaço nas relações em sociedade e não mais se sentir a margem da vida.


O que você pode dizer a quem está começando nas artes agora?
Tenha paciência, dedique-se e seja autêntico. Se você trabalhar seriamente e estiver fazendo aquilo que realmente deseja, o sucesso e o reconhecimento acontecem. Arte é mesmo aquilo de 90% transpiração e 10% inspiração!

Você tem algum apoio governamental?
Oficialmente não. Aliás não existe nada mais triste para um artista do que buscar apoio e escutar um: “não temos verba para cultura”, e por idealismo ter de custear tudo do próprio bolso ou a custo do, cada vez mais raro, patrocinador. Eu sempre tive apoio de instituições culturais e secretarias de diversos municípios que estão de portas abertas para dar apoio a propostas culturais sérias. Infelizmente existem muitas pessoas que não tem uma continuidade de trabalho, e simplesmente se aventuram nas artes, não tenho nada contra as pessoas que “pintam por lazer”, aliás eu acho ótimo que o façam, pois a criatividade é uma condição inerente ao ser humano. Mas eu acredito que o trabalho profissional deve ser deixado para os profissionais, os bons, pois devido também aos maus profissionais, o mercado anda com muito pouca credibilidade.


Qual a sua visão do artista brasileiro no mercado internacional?Acha que os intercâmbios entre brasileiros artistas que se apóiam são válidos?
Toda forma de troca é válida, nos faz crescer tanto profissional como individualmente. Eu apenas estou um pouco cansada de ver as mesmas fórmulas se repetirem à exaustão em alguns artistas, ou estar me deparando com a arte dita “moderna ou contemporânea” desde o século passado, não vejo inovação, não vejo estudo. O artista brasileiro tem prestígio, a brasilidade seduz, somos um povo criativo rico em expressão, é preciso se valorizar isso e parar com os modismos. Hoje com a globalização o mercado internacional está mais acessível, mas existe um caminho a percorrer e regras a seguir, o sucesso é conseqüência natural de um trabalho bem realizado.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ajudando a divulgar

Convite para o livro para a Feira da Argentina



Caros acadêmicos, escritores e poetas, tenho o prazer de lhes convidar para participar da segunda antologia de contos,poesias,crônicas  para o livro que será apresentado a algumas editoras,distribuido entre os autores e levado para a feira do livro 2011,, em Buenos Aires-  Argentina, com o apoio cultural da academia de letras de Goiás, e parceria com poeta e cônsul do Poetas Del Mondo Rodrigo Poeta e a antologista e escritora Izabelle Valladares.

O livro será entregue a algumas editoras nacionais e algumas internacionais.
A feira ocorrerá no dia 26 de abril de 2011,mas o livro será lançado aqui no Brasil, o valor para participação dos escritores selecionados é de R$ 30,00 (trinta reais) na categoria poesia, R$50,00 (cinquenta reais) na categoria conto.

Cada participação já recebe um exemplar de direitos autorais, e caso haja , interesse de alguma editora em fazer a segunda edição da obra, cada participante terá direito á 8% do valor da obra cooperativado.

(O limite de caracteres nos contos e crônicas é de 9.000, não serão aceitos textos de cunho sexual, ou que ofendam qualquer religião, ou com termos de baixo calão.

Cada participante pode enviar até 5 obras para participar e cada texto, corresponderá ao ganho de um exemplar .

Os textos deverão ser enviados para o email info-alg@bol.com.br (A/C de Agnes castro)  ou poesiarte@hotmail.com (A/C de Rodrigo Poeta) ouantologia@izabellevalladares.com.br juntamente com foto do artista, preferencialmente em preto e branco, mini biografia de até 40 palavras, nome artístico,  que deverá aparecer na obra,a data para envio dos textos é até o dia 5 de fevereiro de 2011, devido ao prazo para a confecção e remessa da obra.

O resultado sairá no dia 10 de fevereiro, neste blog e no blog da escritora Izabelle Valladares e no blog Poesiarte.blogspot.com.br

(A capa e o título serão decididos em reunião e divulgados em poucos dias)

Não perca esta oportunidade de estar divulgando seu trabalho e estar mostrando seu talento artístico para o mundo.

A organização do livro é de Izabelle valladares

Prêmio Personalidade 2010 - ARTPOP

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Entrevista de Arnaldo Garrido com Ceiça Esch


Finalizo o ano com a entrevista com a escritora Ceiça Esch, do Rio de Janeiro.
Escritora que vem se destacando no campo de poesias infantis e que v~em presenteando nossa literatura com obras incríveis.A ceiça Esch, meu muito obrigado, por nos conceder a entrevista, e aos nossos leitores, um pouquinho da vida e da obra da artista.




DESPERTA!

Quem chegou ao fundo
Sabe que o fundo não tem fundo.
E, nada mais profundo,
Que emergir de volta para o mundo.
No poço  de um coração aflito,
Onde a esperança afunda em negrito
Surge um voz que  grita ao ouvido:
ACORDA! ACORDA! ACORDA!
A CORDA! A CORDA! A
CORDA!................

Sai do fundo desse abismo!
Espanta a traça da agonia!
Traça novos horizontes!
Embeleza tua vida!
Desperta para um novo dia!
ACORDA!  ACORDA! ACORDA!
A CORDA! A CORDA! A 
CORDA!.......................
(Ceiça Esch)






Nome artístico: Ceiça Esch


Cidade:Rio de janeiro


1- Como começou a gostar de poesias?

R:Desde criança amo poesia.
Cresci lendo e escrevendo poesias.
Amo as palavras e a forma como posso brincar com elas.
E elas, me respondem carinhosamente.

2- Como foi integrar a poesia as histórias infantis?

R:A integração sempre é natural.
Não planejo nada.
De uma forma delicada e divertida a criança pode ter seu primeiro contato com a poesia.
Transformando-se assim, num adulto mais sensível à arte de forma geral.
Começo a escrever e quando percebo, as palavras se completam na sonoridade de uma rima.
Crianças gostam de sonoridade e adultos também..

3- Quais os livros que já tem publicados?

R:Meu primeiro livro foi publicado em dezembro de 2009-Suave Delírio, livro de poesias.
Em 2010 lancei:  O Chulé do Zé,  Eita cachorrinho!!!, Ginho, o lobo que não era bobo, e Cavaleiro dos Sonhos.
Participei também de várias Antologias:Delicatta IV, Delicatta V, Encontro Pontual, Ponte dos Sonhos 1, Brasil mais que um país, uma inspiração.

4- Que tipo de poesia você prefere fazer?

R:Gosto das poesias românticas.
Mas não planejo.
Costumo dizer que não escolho a poesias. A poesia me escolhe.
É ela quem decide quando, como e o que escrever.
Adoro isso, porque sempre me surpreendo.

5- Qual obra até o momento marcou sua carreira?]

R:Todas são importantes para mim.
Mas foi Suave Delírio,  o primeiro livro que publiquei.
Tenho um carinho especial por ele
São poesias de resgate do sonho de adolescente em ser escritora e publicar um livro.
Foi o impulso que eu precisava para não desistir e continuar em frente.

6-O que representa ser poeta pra você?

R:Ser poeta, para mim, é conseguir passar para as pessoas um pouco da minha essência.
Acredito na força das palavras e no efeito que podem causar nas pessoas.
Se pudermos transmitir através delas a leveza, delicadeza e suavidade, talvez as pessoas sejam mais solidárias e gentis.

7- Você tornou-se acadêmica da ARTPOP- Academia de artes de Cabo frio, neste ano de 2010, o que lhe rendeu além do titulo, a indicação para dois prêmios de destaque no universo cultural, o de Gente Destaque 2010 da AFBA ( associação Fluminense de Belas Artes e o de Personalidade cultural 2010 pela ARTPOP, o que isso tudo significa para você,como artista e como pessoa?

R:Para mim é mais que um privilégio, é uma honra.
Ter meu trabalho reconhecido em tão pouco tempo é mais do que eu poderia imaginar ou desejar.
Creio que seja a  consequência de fazer o que se ama.
Peço a Deus que sempre permita que eu faça o que gosto. E que eu nunca deixe de gostar do que faço.

8- Qual a sua visão sobre cultura, principalmente no campo da literatura?

R:Um povo que não preserva sua cultura é um povo sem referência.
Um povo que não tem o hábito da leitura é um povo desinformado, sem conteúdo crítico, que desconhece seus direitos.
Se dermos oportunidades às crianças de terem mais acesso à leitura desde cedo, estaremos formando cidadãos conscientes dos seus deveres e aptos a exercerem
os seus direitos.

9- Quais os seus projetos para o ano de 2011?

R:Sempre tenho muitos projetos.
Meu novo livro de poesias já está pronto.
Mais dois livros infantis  que pretendo lançar na Bienal do Rio em 2011, além de outros livros em co-edição.

10- Como seu trabalho foi recebido na feira de Frankfurt na Alemanha ? Houve algum patrocinador?

R: Meu trabalho foi reconhecido na feira em Frankfut através da Antologia Pontes dos Sonhos 1, organizada pela escritora e ativista cultural
Izabelle Valladares, e distribuida na feira.recebi alguns e-mails elogiando o trabalho.
Nesta Antologia tive a oportunidade de participar com duas poesias  e a honra de escrever a quarta capa, a convite.
Não houve patrocínio e sim muito empenho e dedicação dos organizadores e dos artistas e escritores participantes.
Meu livro infantil Eita cachorrinho !!! foi apresentado, mas não tive nenhuma  obra solo participando da feira.
Quem sabe um dia...

11- Até que ponto a despreocupação com dinheiro prejudica o poeta?

R:Creio que prejudica na medida em que publicar um livro solo no Brasil, é muito dispendioso.
E não ter a preocupação com a parte financeira pode retardar a publicação de outras obras que o escritor possa ter.
A oportunidade de conseguir uma Editora que edite  obras sem custos para o autor, pode levar anos.
Anos de uma luta incansável, marcada pela determinação e persistência.
O poeta é um eterno guerreiro.


12- Tem algum poeta internacional como referência?

R:Entre outros, amo demais Pablo Neruda.

13- Deixe uma mensagem a quem pensa em publicar um livro de poesias:
Nunca desistir da luta, mesmo que os caminhos sejam árduos.
Que suas armas sejam a determinação, a garra e principalmente, o amor pelo que faz.
E que nunca a vaidade seja maior que o seu amor pela arte e pela cultura.


Livros de Ceiça Esch

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Rachel de Queiroz - Obras


















Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza em 1910. Já havia na literatura brasileira recente um livro em que a seca nordestina era a paisagem na qual transcorria a ação ficcional, mas foi em 1930, com a estréia de uma jovem de 19 anos, que a seca passou a ser não apenas o ambiente mas o próprio personagem da história narrada. Mais do que o personagem, ela se transfigurou num estilo conhecido, então, pela primeira vez: uma prosa árida, despojada, o avesso completo de qualquer possibilidade épica. Livrando-se de todo excesso romanesco, Rachel de Queiroz esteve no princípio do movimento regionalista, um dos mais importantes que o país já teve e que revelou nomes da importância de Graciliano Ramos e Jorge Amado, entre outros. O Nordeste brasileiro tornou-se, enfim, conhecido através de uma voz literária própria. Posteriormente, tendo escrito um romance feminino de formação, trabalhado como jornalista e com forte atuação política, ela se transformou num símbolo das conquistas da mulher brasileira e foi a primeira escritora a entrar para a Academia Brasileira de Letras. Seus romances originaram famosas novelas da Rede Globo. obrasO Quinze (1930)
Caminho de Pedras (1937)
As Três Marias (1939)
A Donzela e A Moura Morta (1948)
Lampião (1953)
A Beata Maria do Egito (1958)
O Brasileiro Perplexo (1964)
Dora, Doralina (1975)
O Galo de Ouro (1985)
Obra Reunida (1989)
Memorial de Maria Moura (1992)
As Terras Ásperas (1993)